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Saúde

Em meio a colapso da saúde, Itajubá vai disponibilizar Ivermectina contra Covid-19

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Anúncio da distribuição do medicamento foi feito pelo prefeito Christian Gonçalves e seu vice, que também é secretário de Saúde, nas redes sociais da Prefeitura. Além do vermífugo, cidade vai disponibilizar vitamina D e Zinco para serem prescritos “aos primeiros sinais de sintomas sugestivos de Covid-19”

O prefeito de Itajubá, Christian Gonçalves (DEM), anunciou em vídeo publicado nas redes sociais da Prefeitura que as unidades de saúde locais vão disponibilizar o medicamento Ivermectina como tratamento precoce contra a Covid-19. No vídeo, Christian está acompanhado do vice-prefeito Nilo Baracho, que é também secretário de Saúde.

Além do vermífugo utilizado no tratamento contra parasitas como piolho e o ácaro causador da sarna, o político anunciou outros dois itens para compor o kit-covid: vitamina D e Zinco. “Desta forma, os médicos poderão prescrevê-los aos primeiros sinais de sintomas sugestivos de Covid-19”.

No vídeo, o prefeito descreve uma grande mobilização de sua administração para garantir que o kit já esteja disponível nos postos de saúde do município a partir desta segunda-feira, 15 de março.

(Em tempo: na tarde deste domingo, 14, a Prefeitura de Itajubá excluiu o vídeo publicado em suas redes sociais. O vídeo segue disponível nesta reportagem, hospedado no canal do Youtube do R24)

O anúncio ocorre em meio ao colapso da saúde em Itajubá, que viu os leitos de tratamento contra a doença se esgotarem no Hospital das Clínicas e o pronto socorro da unidade precisar ser fechado. A cidade lidera o ranking regional de óbitos atribuídos à infecção provocada pelo coronavírus. Eram 168 mortes até a tarde de ontem, conforme boletim epidemiológico do município.

Polêmica

A medida gerou enorme polêmica nas redes sociais. Nos post original, na página oficial da prefeitura no Facebook, há 4,1 mil interações e 1,1 mil comentários que se dividem entre favoráveis e críticos à medida.

Embora haja estudos sendo realizados com o medicamento para avaliar sua eficácia contra a Covid-19, a Ivermectina é indicada para o combate a parasitas. Nem mesmo a farmacêutica responsável por sua produção a indica contra a doença.

Posição idêntica é adotada pela Organização Mundial de Saúde, pela Associação Médica Brasileira, Sociedade Brasileira de Infectologia. Todas essas organizações de saúde entendem que ainda não há dados conclusivos que comprovem a eficácia do medicamento, a não ser estudos de baixa qualidade.

Já o Conselho Federal de Medicina (CFM), no parecer 04 de 2020, orienta que a decisão sobre o tratamento a seguir contra a Covid-19 seja uma decisão do médico em concordância com o paciente, embora a representações do conselho em alguns estados já tenham se manifestado contrários à indicação de medicamentos sem comprovação de eficácia.

Ministério da Saúde chegou a indicar tratamento precoce em aplicativo, mas recuou

O Ministério da Saúde chegou, inclusive, a lançar um aplicativo, o TrateCov, que recomendava a utilização do ‘kit Covid-19’, uma cesta de medicamentos que seria capaz de prevenir a infecção. A relação medicamentosa trazia a Ivermectina, a hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, doxiciclina e sulfato de zinco em 30mg ou 50mg.

Quando o app veio a público, o próprio CFM pediu sua retirada imediata do ar, por considerar que a plataforma induziria “à automedicação e à interferência na autonomia dos médicos, assegura a validação científica a drogas que não contam com esse reconhecimento internacional e não preserva adequadamente o sigilo das informações”. A retirada também foi cobrada pelo Ministério Público Federal e pelo Conselho Nacional de Saúde.

A plataforma acabou retirada do ar pelo MS, que alegou tratar-se de uma iniciativa em fase de testes. Após a polêmica, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, negou que a pasta indique o tratamento precoce. “Os senhores sabem o quanto temos divulgado, desde junho, o atendimento precoce. Não confundam atendimento com definição de qual remédio tomar”, disse à época.

Hoje, o aplicativo tornou-se uma das evidências levantadas contra o ministro no inquérito que apura sua conduta no combate à pandemia. A investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

Especialistas alertam para hepatite medicamentosa causada pelo uso excessivo de Ivermectina

Após o surgimento da Ivermectina como possível tratamento contra a Covid-19, médicos passaram a relatar casos de intoxicação que estariam levando ao desenvolvimento de hepatite medicamentosa. O caso que se tornou mais conhecido foi o de um jovem que pode precisar de um transplante de fígado após tratamento a base do vermífugo.

A denúncia foi feita pelo médico pneumologista Frederico Fernandes, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). Tratava-se de um paciente que manifestou sintomas leves da infecção e, depois de passar uma semana recebendo a Ivermectina, a uma dosagem de 18 miligramas por dia (prescrição considerada equivocada na opinião de Frederico Fernandes), acabou apresentando piora em seu quadro de saúde.

“Muito triste ver uma pessoa jovem a ponto de precisar de transplante por usar uma medicação que não funciona em uma situação que não precisa de remédio algum”, postou o pneumologista.

Existe medicamento indicado para o tratamento da Covid-19?

No Brasil, até o momento, um único medicamento foi oficialmente indicado para o tratamento da Covid-19, o antiviral Remdesivir, que passará a ser recomendado em bula. Ele foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na sexta-feira (12). Sua indicação, no entanto, é para estágios mais graves da doença, em pessoas com idade superior a 12 anos, com pelo menos 40 kg, que estejam com pneumonia e precisem de suplementação de oxigênio.

“É importante destacar que a indicação terapêutica aprovada em bula não se restringe à forma leve, moderada ou grave da doença. Ela está ligada à apresentação da pneumonia com necessidade de suplemento de oxigênio, desde que o paciente não esteja em ventilação mecânica ou extracorpórea”, disse Renata Lima Soares, gerente de Avaliação de Segurança e Eficácia da Anvisa, durante o anúncio da aprovação do medicamento.

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Saúde

Com casos de Covid em queda e leitos lotados, Pouso Alegre tem nova alta de óbitos

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Enquanto média de novos casos tem redução, número de mortes por Covid-19 segue em alta | Imagem: R24

Cidade concentrou 62,5% das mortes de toda a pandemia entre os meses de março e abril. Com 92 óbitos, os últimos 20 dias foram os mais letais. Apesar disso, média diária de novos casos de Covid-19 caiu para menos da metade após um mês de restrições

Os números da Covid-19 são cada dia mais pesarosos. Ontem, Pouso Alegre registrou mais seis mortes, chegando a um total de 267 vidas perdidas para a pandemia.

A estatística mais assustadora, porém, tomou forma ao longo dos últimos 50 dias. A cidade levou 10 meses para chegar a 100 mortes na pandemia, mas precisou de menos de dois para contabilizar outras 167, que foi o total de óbitos registrados ao longo do mês de março e 20 dias de abril.

A enorme quantidade de vidas perdidas neste curto espaço de tempo representa 62,5% de todas as pessoas que morreram de Covid-19 na cidade ao longo da pandemia.

O aumento exponencial de óbitos coincide com a lotação dos hospitais do município, que tiveram seus leitos destinados ao tratamento da Covid-19 esgotados a partir da segunda quinzena de março. Daí em diante, o quadro só piorou.

Tanto assim que o mês de abril ainda tem nove dias pela frente, mas já é o mais letal da pandemia, com 92 óbitos. Em, março, quando se atingiu o recorde anterior, 75 pessoas morreram por complicações da infecção.

No pior momento, a cidade chegou a registrar 27 mortes em apenas 72 horas. Isso aconteceu no dia 5 de abril. No dia 10, seria atingida a maior média diária de mortes ao longo de sete dias, 6,43.

O indicador teve uma queda considerável nos dias seguintes e chegou a 2,71 em 13 de abril. Mas voltou a acelerar nos últimos dias. Com as seis mortes registradas ontem, a média voltou para 5,14.

O pior já passou?

Apesar da tragédia e dor que cercam cada morte anunciada, um indicador importantíssimo tem dado sinais de que o pior momento da pandemia no município pode estar chegando ao fim. A média móvel de novos casos está em queda desde o dia 16 de abril.

Ao longo de sete dias encerrados na terça-feira, a cidade registrou média diária de 87,5 novos casos de Covid-19. Para se ter uma ideia, no pico de contaminações, essa média chegou a 217,8, no dia 29 de março, mais que o dobro da média atual.

Tudo leva a crer que a acentuada queda de novos casos está relacionada às medidas restritivas da ‘onda roxa’, que manteve serviços considerados não essenciais fechados por um mês e chegou, inclusive, a decretar toque de recolher na cidade.

As medidas de restrição, porém, chegaram ao fim no último sábado, quando o município e região avançaram para a onda vermelha, liberando, com algumas limitações, praticamente todas as atividades econômicas.

Para especialistas, como o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, um dos coordenadores da Rede Análise Covid-19, a abertura pode ter sido precipitada. “Estamos flexibilizando cedo demais e revertendo a desaceleração”, projeta.

Segundo Isaac, a abertura pode criar uma nova explosão de casos. “O Brasil só deu uma respirada, encheu pulmão de ar e já vai voltar a mergulhar de novo. Não deixou cair o número de casos para valer”, analisou em entrevistas à BBC Brasil.

O alerta do cientista de dados vai na mesma linha do último boletim extraordinário do Observatório Covid-19, preparado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz. Eles alertam para a estabilização da pandemia em níveis críticos.

“Esse padrão pode representar a desaceleração da pandemia, com a formação de um novo patamar, como o ocorrido em meados de 2020, porém com números bem mais elevados de casos graves e óbitos”, dizem os pesquisadores. A íntegra do estudo você confere aqui.

Vacinação começa a dar resultados, garante o prefeito Rafael Simões (DEM)

Apesar do apelo de cientistas e profissionais da saúde, que chegam a pedir lockdown nacional, resta evidente que novas medidas restritivas só serão adotadas em caso de colapso ainda maior do sistema de saúde e nova explosão de contaminações, mas e a vacinação? Mesmo lenta ela já pode estar surtindo algum efeito?

O prefeito Rafael Simões (DEM) tem afirmado nos últimos dias que sim. Na manhã de ontem, em vídeo gravado para convocar os idosos de 65 anos a comparecerem no ‘Pit Stop’ de vacinação da Univás, o político afirmou que imunização já estaria amenizando a pandemia. Ele, porém, não apresentou números que pudessem sustentar a tese.

E eu quero dizer: está sendo muito importante a vacinação. Pelos índices que nós tivemos aí desde quando começamos a vacinar, nós temos percebido claramente que a vacina é a solução”, afirmou o político.

Atualmente, o município vacina idosos a partir de 64 anos, além de já ter imunizado profissionais de saúde acima de 35 anos, com um total de 22,5 mil aplicações de primeira dose e outras 7,4 mil aplicações de segunda dose.

O que a secretária de Saúde Silvia Regina já confirmou, inclusive ao R24, é que as internações de pessoas mais velhas, oriundas das faixas etárias já inclusas na campanha de vacinação, teve queda importante. Em contraposição, porém, aumentou o número de pessoas mais jovens afetadas pelas versões graves da doença.

Internações têm leve queda, mas lotação segue acima de 100%

Apesar de mostrar algumas oscilações negativas ao longo dos últimos dias, as internações por Covid-19 seguem em níveis preocupantes, superando a capacidade de atendimento destinada à infecção. Nos leitos clínicos e nas alas de UTI a ocupação relativa é a mesma, 110%.

O percentual acima significa dizer que pacientes de Covid-19 continuam a ser remanejados para leitos destinados ao tratamento de outras enfermidades, pressionando ao máximo o sistema de saúde.

Há um total de 165 pessoas internadas nos hospitais de Pouso Alegre por conta da doença. Deste montante, 137 são de moradores de Pouso Alegre, outros 28 de cidades vizinhas.

 Acumulado da pandemia

O último boletim epidemiológico do município foi publicado nesta quarta-feira, 21, pela Prefeitura. Seus dados são referentes a terça-feira, 20.

Segundo o levantamento, em 24 horas, o município registrou mais seis óbitos e 102 novos casos. No acumulado da pandemia, a cidade soma 13.878 infecções, das quais 12.844 se referem a pessoas que já estariam recuperadas da doença; outras 767 seguem em recuperação; o total de óbitos atribuídos à Covid-19 é de 267.

 

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Saúde

Idosos de 64 anos serão vacinados na sexta, em ‘Pit Stop’ e postos de saúde

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A Prefeitura de Pouso Alegre anunciou hoje a ampliação da vacinação contra a Covid-19 para mais um público, os idosos de 64 anos. A imunização vai ocorrer na sexta-feira, 23, no ‘Pit Stop’ da Univás e nos postos de saúde.

No sábado, 24, o município realiza outro ‘Pit Stop’, de novo na Univás, mas desta vez para aplicar a segunda dose da vacina naquelas pessoas que tomaram a CoronaVac nos dias 26, 27, 29 de março e 1º abril, conforme recomendação do fabricante que estipula que o tempo entre a primeira e segunda dose deve ser de 21 a 28 dias.

Os dois ‘Pit Stops’ vão das 8h às 16h. Quem não puder ir até a Univás ainda tem a opção de se vacinar nos postos de saúde:

  • UBS Cidade Jardim
  • UBS São João
  • UBS São Cristovão
  • UBS Pão de Açucar
  • UBS Colinas de Santa Bárbara

De acordo com a Prefeitura, para se vacinar, “o idoso deve levar documento de identidade com foto, comprovante de endereço e cartão SUS cadastrado em Pouso Alegre”.

Com a inclusão do novo grupo na campanha de imunização contra a Covid-19, Pouso Alegre vacina os seguintes grupos:

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Saúde

Média de novos casos cai, mas Pouso Alegre registra outras 12 mortes por Covid-19

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Número de novos casos cai, mas mortes pela Covid-19 não cessam em Pouso Alegre | Imagem: reprodução

Mesmo com número de novos casos chegando ao menor nível em mais de um mês, desde 23 de março, em média, 3 ou mais pouso-alegrenses morrem todos os dias por conta da Covid-19. Entre sábado e segunda-feira, outras 12 vidas foram perdidas para a pandemia no município

Entre sábado e ontem, 19, outros 12 moradores de Pouso Alegre morreram por complicações da Covid-19. O número consta no boletim epidemiológico divulgado na noite desta terça-feira, 20, pela Prefeitura.

O índice elevado de mortes se sustenta ao mesmo tempo em que a cidade registra a menor média de novos casos de Covid-19 desde o dia 16 de março, o que pode ser o reflexo mais claro até o momento das medidas restritivas adotadas entre 17 de março e 17 de abril, com a adoção da ‘onda roxa’.

 

Os dados dos boletins divulgados ao longo dos últimos sete dias mostram que a média móvel de novos casos diários está em 92,4, depois de ter atingido 217,8 em 29 de março, como mostra o gráfico acima.

Já média móvel de óbitos foi a 4,7. Desde o dia 23 de março, o município registra, em média, 3 ou mais mortes por dia. Confira no gráfico a seguir:

 

As médias móveis calculadas pelo R24 se baseiam nos boletins epidemiológicos divulgados ao longo dos últimos sete dias.

Como não há constância na divulgação dos números por parte do município e como a variação diária pode ser elevada, especialmente por conta da incerteza entre a data das ocorrências e o momento de sua divulgação, a média móvel tende a apresentar um retrato mais fiel do quadro epidemiológico, além de ser mais capaz de apontar tendências.

Leitos para Covid seguem acima de 100% de lotação

 

Os leitos destinados ao tratamento da Covid-19 seguem operando acima de sua capacidade, com o agravante de que o número total de internados nos hospitais da cidade voltou a subir. Eram 157 no dia 16. São 169 no boletim divulgado hoje. Dentre eles, há 142 pouso-alegrenses e 27 de outras cidades.

A ocupação relativa é de 109% nos leitos clínicos (101 internados para 92 vagas de Covid) e de 119% nas UTIs (68 internados para 57 vagas de Covid). Os pacientes que excedem o número de vagas para Covid-19 são alocados em leitos destinados ao tratamento de outras enfermidades.

 

Acumulado da pandemia

No acumulado da pandemia, o município soma 13.776 casos de Covid-19, dos quais 12.761 se referem a pessoas que já teriam se recuperado da doença; outras 754 seguem em acompanhamento. O número total de óbitos chegou a 261.

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