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Elas na Linha de Frente

Com lideranças femininas, Una conquista mercado universitário em Pouso Alegre

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Coordenação de ensino da UNA é toda formada por mulheres | Imagem: divulgação

Elas podem até ser mais instruídas, estarem em maior número entre a população brasileira e trabalhar mais. Apesar disso, as mulheres ainda são minoria nos cargos de chefia. Os dados mais recentes do IBGE mostram que elas ocupam menos de 40% dos postos gerenciais, enquanto eles estão em mais de 60%.

Tomando esses dados como base, o R24 inicia hoje uma série de reportagens mostrando como as mulheres estão na linha de frente de importantes espaços de trabalho, de poder e de organizações sociais em Pouso Alegre. Na reportagem de hoje, vamos conhecer uma instituição de ensino superior que tem sua coordenação de ensino totalmente formada por mulheres.

Elas na linha de frente

Instituição de Ensino Superior do grupo Ânima Educação, um dos mais celebrados de seu segmento na atualidade, a Una Pouso Alegre se destacou nos últimos anos ao conquistar estudantes em uma cidade universitária, até então, dominada por instituições tradicionais.

Por trás de todo esse sucesso, uma equipe de coordenação de ensino, totalmente formada por mulheres, está na linha de frente do trabalho, cercado de velhos e novos desafios.

Para a diretora da Una Pouso Alegre, Daniela Tessele, a liderança feminina no grupo é algo natural. “Somos valorizadas, respeitadas e empoderadas. Não como algo imposto, mas como algo que faz parte dos nossos valores, da nossa missão e que, naturalmente, se desdobra nas ações do nosso dia a dia”, avalia.

 

 

Daniela Tessele, diretora da UNA Pouso Alegre

 

A política de diversidade e inclusão, garante que o grupo Ânima tenha seus postos de trabalho ocupados em 51% de mulheres. A coordenadora do curso de Gestão e Direito, Roberta Manfron, destaca a sinergia da equipe de trabalho. “Nosso time de coordenadoras e direção é sensacional, trabalhamos em conjunto, temos muita afinidade, sinergia e parceria”, garante.

E como é ser reconhecida profissionalmente? “Inspirador. O papel da mulher no mercado de trabalho é pautado por muitas conquistas e desafios”, pontua a coordenadora. Ela conta que, em sua experiência pessoal, sempre foi cercada de exemplos de mulheres que lutaram e lutam para alcançar seus objetivos: “Sempre convivi com mulheres que se destacaram pela garra, ética, valores sólidos, exímia execução multitarefa”.

Roberta Manfron, coordenadora de Gestão e Direito

 

Diante dos desafios impostos às mulheres no mercado de trabalho, Manfron diz se sentir privilegiada “por trabalhar em uma instituição de ensino que prima pela qualidade e inclusão, com princípios pautados pela diversidade, dando oportunidades profissionais a todas as pessoas sem qualquer distinção ou preconceito”. Para ela, suas conquistas têm muito de seu esforço próprio, mas também “do esforço pelos direitos conquistados no passado. Penso sim ser um momento para reconhecimento e celebração”, conclui.

Caem as últimas barreiras

Se todos notam os avanços da mulher na conquista de novos espaços, eles se fazem ainda mais sentidos naqueles setores tradicionalmente ocupados pelos homens. É o caso dos cursos de agrárias. A coodenadora do segmento é Madeline Mazon.

“Hoje, cada vez mais, as mulheres estão atuando em todas as áreas, em todos os setores das agrárias. Hoje, a gente vê uma sala de aula do curso de medicina veterinária, a maior parte [dos estudantes] são do sexo feminino. Não tem diferença de ela vai atuar em uma propriedade rural, num frigorífico, num laticínio ou em uma clínica de pequenos”, conta Madeline.

A educadora reconhece que o preconceito ainda existe, mas avalia que dominando as técnicas e tendo “um psicológico bem estruturado, ela consegue atuar em todas as atividades”.

Elas no comando: cooperação e criatividade

Encontrar soluções de formas criativas, enquanto realiza várias tarefas ao mesmo tempo, são qualidades que qualquer gestor desejaria encontrar em sua equipe . É exatamente esse o perfil da coordenação da UNA, segundo suas integrantes.

“É um ambiente de muita cooperação, de muita criatividade. As mulheres inspiram, as mulheres são multitarefas, criativas, conseguem promover soluções com carinho, com o jeito feminino”, considera a coordenadora dos cursos de Saúde e Psicologia, Paula Rocha.

Paula Rocha, coordenadora dos cursos de Saúde e Psicologia

Elas se dedicam mais

Como mostram os dados que abrem esse texto, infelizmente, a Una Pouso Alegre ainda está mais próxima de uma exceção do que de uma regra.

Em 2020, o Brasil caiu seis posições no Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que compara dados de direitos reprodutivos, empoderamento e mercado de trabalho. O país ocupa, agora, a 95ª posição no ranking.

Curiosamente, o IDG mostra que as mulheres têm menor inserção no mercado de trabalho, ganham menos, mas estudam mais. Elas passam mais tempo na escola, 8,2 anos. O tempo médio para os homens é de 7,7 anos.

Mas porque as mulheres se preparam mais intelectualmente? Para Paula Rocha, essa pode, sim, ser uma reação. “A gente vê que as meninas fazem questão de se prepararem mais, de estarem mais prontas para o mercado de trabalho. Sim, eu acho que é uma reação ao ambiente machista. Porque é histórico que as mulheres têm que se provar mais competentes, mais capacitadas, que elas podem ser boas líderes e tomarem as decisões corretas”, avalia a educadora.

Para a coordenadora do curso de Engenharia da Una, Juliana Cortez, a busca mais enfática pelo preparo intelectual é uma característica natural das mulheres, “mas que se evidencia quando a mulher está em um ambiente machista”, considera.

Juliana Cortez, coordenadora de Engenharia e Arquitetura

Ânima recebeu prêmio por liderança feminina

Cultivar a equidade de gênero já rendeu ao Ânima uma premiação nacional. Em 2019, o grupo recebeu o prestigiado prêmio ‘Liderança Feminina’, conferido pela ONG “WILL” em parceria com Valor Econômico, O Globo, Época Negócios e Marie Claire.

O estudo fez um levantamento junto a 165 empresas. O Ânima ficou entre as 22 melhores e se destacou no segmento da educação. Dentre outros quesitos, a avaliação considerou a composição dos quadros por gênero, práticas de equidade; recrutamento; flexibilidade; maternidade; interseccional; idades.

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