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Economia

Valor da cesta básica em Pouso Alegre recua 1,4%, mas segue maior que o de Varginha

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Uma família com quatro pessoas precisaria de R$ 1.992 apenas para comprar os alimentos do mês. Uma única pessoa, ganhando um salário mínimo, teria que trabalhar 99 horas e 38 minutos em um mês apenas para se alimentar em Pouso Alegre

O valor da cesta básica de alimentos em Pouso Alegre para uma única pessoa adulta passou de R$ 505,24, em março, para R$ 498,16, em abril. A pequena redução de 1,4% é a primeira variação percebida pelo estudo mensal que o departamento de pesquisa da Unis começou a realizar na cidade a partir de abril.

Apesar do recuo, a cesta de alimentos em Pouso Alegre segue mais cara que a de Varginha, outra cidade-polo que participa do levantamento mensal da faculdade. Por lá, a variação de março para abril teve viés de alta de 1,99%, passando de R$ 462,67 em março para 471,86 em abril.

Os alimentos que tiveram maior aumento em Pouso Alegre

Ao todo, 13 alimentos que compõem a cesta de alimentos são cotados no levantamento. Em abril, 5 deles tiveram aumento em seu preço médio, com destaque para o café em pó (+9,48%), o leite integral (+8,78%) e o óleo de soja (+6,79%). Por outro lado, 8 tiveram redução, com destaque para a batata (-8,86%), o tomate (-3,25%) e o pão francês (-2,87%).

De acordo com os pesquisadores, a alta do café é reflexo de sua cotação internacional, afetada pela expectativa de queda na safra. O leite encareceu por conta da redução da oferta, enquanto o óleo de soja registra queda em sua produção e na previsão de colheita de soja em países como Estados Unidos e Argentina, “o que provocou aumento na sua cotação internacional e também elevou a demanda pelo produto oriundo do Brasil”, informa o levantamento.

Quanto aos produtos que registraram queda, os pesquisadores observam que, em sua maioria, tratam-se de produtos hortifrutigranjeiros, que estão em período de safra, com aumento sazonal de oferta que, naturalmente, reduz seus preços.

99 horas e 38 minutos de trabalho para quem ganha 1 salário mínimo

Enquanto o desemprego aumenta na fase mais aguda da pandemia, mesmo quem ainda ostenta um, se tiver remuneração de um salário mínimo, vai ter que trabalhar 99 horas e 38 minutos apenas para garantir a sua alimentação ao longo de um mês.

No caso de uma família com quatro pessoas, para garantir a quantidade necessária dos 13 alimentos da cesta básica para uma dieta digna, serão necessários R$ 1.992,16.

Levantamento nacional

A pesquisa do DIEESE referente a março de 2021 (divulgada no dia 08 de abril) mostrou que a cesta básica mais cara do Brasil é a de Florianópolis (R$632,75); a capital com o valor mais baixo é Salvador (R$461,28). Em Belo Horizonte, a capital mineira, a cesta básica de alimentos sai por R$555,67.

Sobre a pesquisa

Este foi o segundo levantamento de preços realizado pelo Departamento de Pesquisas da Unis em Pouso Alegre. A partir dele, passou a ser possível determinar o índice de inflação da cesta básica comparando os dois meses iniciais da pesquisa.

O levantamento toma por base a coleta de preços de 13 produtos que compõem a cesta básica nacional de alimentos nos principais supermercados da cidade, seguindo o padrão metodológico adotado pelo DIEESE a nível nacional.

Confira a variação de preço de todos os produtos da cesta básica em Pouso Alegre:

Café em pó: + 9,48%
Leite integral: + 8,78%
Óleo de soja: +6,79%
Feijão carioquinha: +3,12%
Farinha de trigo:  +2,06%
Batata: -8,86%
Tomate: -3,25%
Pão francês: -2,87%
Banana: -2,62%
Arroz: -2,40%
Carne bovina: -2,21%
Manteiga: -1,62%
Açúcar refinado: -1,18%

Economia

Tomate, batata e carne deixam cesta básica 6% mais cara em Pouso Alegre

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Aumento é quase 20 vezes superior à inflação oficial (IPCA) registrada em abril, que foi de 0,31%. Trabalhador que ganha um salário mínimo precisa trabalhar mais de 100 horas em um mês apenas para se alimentar no município

A cesta básica está ainda mais cara em Pouso Alegre. Na comparação entre abril e maio, o aumento foi de 5,98%. O levantamento, realizado pelo Departamento de Pesquisas da Unis, é o terceiro da série e considera os preços praticados para 13 produtos essenciais, conforme metodologia do Dieese.

Para se ter uma ideia de como os preços dos alimentos superam de longe a inflação oficial, que é aquela divulgada pelo governo federal e tomada de referência pelo mercado, a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,31% em abril. Ou seja, a inflação da cesta básica em Pouso Alegre entre os meses de abril e maio é quase 20 vezes superior à inflação oficial medida no país ao longo do mês de abril.

IPCA em abril de 2021 0,31%
INPC em abril de 2021 0,38%
Inflação da cesta básica em Pouso Alegre abril/maio de 2021 5,98%

Em maio, três produtos da cesta essencial puxaram a alta em Pouso Alegre: o tomate, que teve aumento de 25,75%, a batata, 13,77% mais cara, e a carne bovina, com acréscimo de 9,11%. Por outro lado, o arroz (-4,11%), o café em pó (-3,67%) e o feijão carioquinha (-2,35%) foram os produtos que registraram a maior queda de preços.

No relatório assinado pelos professores Mailson Alan de Godoi e Pedro dos Santos Portugal Junior, o principal motivador da alta de preços é “o final das safras dos produtos hortifrutigranjeiros”, além da demanda externa.

Para os professores, o quadro deve se manter no curto prazo e seguir “influenciando o comportamento futuro dos preços no curto prazo”.

Cesta básica custa R$ 527,93 por pessoa adulta

Para alimentar uma única pessoa adulta com os produtos da cesta básica ao longo de um mês, são necessários R$ 527,93, ou mais da metade de um salário mínimo. Considerando um trabalhador remunerado com essa faixa salarial, ele precisa trabalhar 105 horas e 35 minutos em um mês apenas para se alimentar.

Considere uma família de quatro pessoas. Ela precisaria de R$ 2.111,72 apenas para comprar os alimentos básicos para manter o lar ao longo de um mês.

O valor da cesta básica em Pouso Alegre é 8,2% superior ao apurado em Varginha, a outra cidade-polo da região em que a Unis realiza o levantamento. Por lá, os produtos da cesta básica podem ser comprados por R$ 484,44.

Produtos da cesta básica que tiveram alta em Pouso Alegre no mês de maio:

Produtos  Média da alta dos preços
Tomate  25,75%
Batata  13,77%
Carne bovina  9,11%
Pão francês  1,43%
Açúcar refinado  1,05%
Banana  0,88%
Óleo de soja  0,24%

 

Produtos da cesta básica que tiveram queda de preços em Pouso Alegre no mês de maio:

Produtos  Média da queda dos preços
Arroz  -4,11%
Café em pó  -3,67%
Feijão carioquinha  -2,35%
Farinha de trigo  -1,66%
Leite integral  -1,59%
Manteiga  -0,27%

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Economia

Governo de Minas propõe volta de eventos sem limite de público

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Após fim da 'onda roxa', Zema cria série de agendas dedicadas a temas econômicos e de geração de emprego | Foto: Gil Leonard/ Imprensa MG

Proposta apresentada por Zema a empresários do setor  prevê a realização de eventos em que se mantenha apenas o distanciamento de 4 metros quadrados e uso de máscara, sem limitar o número de pessoas presentes. A proposta será analisada esta semana pelo Comitê Extraordinário Covid-19

O governo de Minas estuda o retorno de eventos sem limite de públicos, apenas com distanciamento e uso de máscara. A proposta foi discutida pelo governador Romeu Zema (Novo) com representantes dos setores de eventos, cultura e turismo em reunião realizada nesta segunda-feira, 03.

A liberação de eventos nesses moldes poderia ocorrer em cidades que aderiram ao programa ‘Minas Consciente’ e que avancem para a ‘onda verde’, que tem os protocolos sanitários mais flexíveis.

Atualmente, nenhuma região do estado está na ‘onda verde’, mas quatro macrorregiões e algumas microrregiões, como é o caso de Passos/Cássia, Piumhi e São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, avançaram para a ‘onda amarela’, estágio que antecede a ‘onda verde’.

De acordo com a proposta, os eventos sem limite de público deverão obedecer o distanciamento de 4 metros quadrados entre as pessoas, que deverão ainda utilizar máscara e ter acesso a métodos de higienização como o fornecimento de álcool gel.

Até então, o ‘Minas Consciente’, mesmo na ‘onda verde’, permitia um público máximo de 250 pessoas, com a mesma previsão de distanciamento de 4m², independentemente do tamanho do espaço.

A proposta do governo de Minas será submetida na próxima quinta-feira, 06, à análise do Comitê Extraordinário Covid-19, grupo que se reúne semanalmente para avaliar o avanço da pandemia no estado.

Proposta implicará em mudanças na ‘onda verde’ que passará a permitir eventos sem limite de público

“O setor de Eventos foi um dos mais afetados pela pandemia. Nós, Estado, estamos muito preocupados porque é um setor que gera muitos empregos, renda e atrai turismo para nossas cidades. Ainda estamos em uma pandemia e todos os cuidados são necessários, mas precisamos encontrar um meio de viabilizar a sobrevivência deste setor que já sofreu tanto”, afirmou o governador Romeu Zema durante a reunião.

Para o setor, a sinalização de reabertura permite que sejam traçados novos planos e que os negócios comecem a andar. É o que avalia o Karla Delfim, da Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta).

“Começar a caminhar é o principal. Se começarmos a abrir, receber pequenos eventos, a gente começa a passar uma certa confiança para o nosso cliente de médio e grande porte para que ele comece a se planejar. A gente precisa de um cronograma”, afirmou.

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Economia

Polêmica: a oferta de empregos cresceu durante a pandemia em Pouso Alegre

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Amostra Nacional de Domicílios do IBGE mostra desemprego histórico, mas novo Caged, do Ministério da Economia, retrata recordes de geração de emprego. Contradição gera debate e inconformismo nas redes

Apesar de o Brasil enfrentar uma das maiores crises econômicas de sua história por conta da pandemia, um indicador tem chamado a atenção de quem tem tido dificuldade de achar um emprego: segundo dados do Cadastro nacional de Empregados e Desempregados, o Caged, o mercado de trabalho brasileiro vive um de seus melhores momentos.

Em Pouso Alegre, por exemplo, a base de dados hoje ligada ao Ministério da Economia aponta que em março, mês da ‘onda roxa’, período mais restritivo da pandemia no município, 631 vagas teriam sido criadas.

Mas como o Caged chegou a esse número? Cruzando informações repassadas pelos empresas empregadoras. Segundo elas, 1.905 trabalhadores foram demitidos enquanto 2.536 foram admitidos, restando o saldo positivo de 631 vagas.

No acumulado do ano, apontado como crítico pela maioria das empresas, o município tem saldo positivo de 1.607 vagas. No Brasil, o saldo seria de mais de 837 mil vagas.

Notícias que davam conta da informação foram rechaçadas de pronto nas redes sociais por muitos internautas. O R24 mesmo publicou a variação do Caged do mês de fevereiro e recebeu uma enxurrada de questionamentos.

Como a geração de empregos pode estar tão acelerada em meio a uma profunda crise econômica associada à crise de saúde mundial? Uma explicação para a estranheza causada pelos números e a realidade enfrentada pela população pode estar em uma mudança metodológica ocorrida em 2020, quando o Caged ampliou a base de informações considerada para compor sua estatística.

Até então, o empregador informava demissões e contratações diretamente ao Caged. Agora, ele faz isso por meio do eSocial, que unificou diversas obrigações das pessoas jurídicas. A mudança é mais profunda do que parece. Atualmente, o empregador é obrigado a informar, por exemplo, a admissão de trabalhadores temporários, o que não ocorria anteriormente.

Desde que a mudança passou a valer, o país chegou a registrar recordes na geração de empregos com carteira assinada, apesar de enfrentar uma duríssima crise econômica. O governo federal comemorou: ““Não tenho dúvida de que o saldo é algo concreto e bastante crível, já que melhoramos a captação tanto das admissões como das demissões”, afirmou no final de março o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

Mas especialistas alegam que as mudanças tornaram a comparação da série histórica impossível de serem feitas e apontam outros problemas que podem estar inflando a estatística.

Embora considere que a nova plataforma amplie a base de dados e traga uma mudança positiva, Marcelo Neri, diretor do FGV Social e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, alerta para a impossibilidade de estabelecer comparações com a série histórica anterior à mudança.

“A comparação dele com anos anteriores não é assegurada. É como comparar laranjas com bananas”, argumentou à Folha de São Paulo.

Neri considera um equívoco até mesmo a comparação entre períodos atuais. “Existe a possibilidade de os dados de demissões estarem atrasados. Existe a hipótese de ter havido uma demora para registrar os dados das empresas que fecharam”, afirma. “Uma análise do acumulado do ano teria menos ruído, talvez”, disse ao jornal em entrevista publicada hoje.

Evidência mais robusta da discrepância entre a metodologia atual e a anterior foi encontrada pelo pesquisador Bruno Ottoni, do iDados e do Ibre/FGV. Ele comparou os dados apurados a partir das duas metodologias de abril a dezembro de 2019.

“Na média, o pesquisador calculou uma diferença de 74% entre o saldo de vagas registrado no Caged antigo e aquele extraído a partir dos dados do eSocial. Em maio de 2019, a variação chega a 361%. Enquanto a base de informações antiga registrou 9.712 novos postos de trabalho, o eSocial tinha 44,7 mil”, informa o jornal.

Programa de Manutenção de Emprego

Outra explicação possível para o conflito entre a percepção popular e a estatística é dada pela equipe econômica do governo federal, que atenta para o Programa de Manutenção de Emprego.

Instituído durante a pandemia, ele permitiu que as empresas suspendessem contratos e reduzissem a jornada de trabalho e contava ainda com a complementação dos salários dos funcionários pelo governo.

As empresas que aderiram ao programa não podem demitir seus empregados por um período. Atualmente, nada menos que 3,5 milhões de trabalhadores estão nesta condição.

PNAD aponta 14,4 milhões de desocupados no Brasil

A polêmica fica ainda maior quando considerado um outro indicador do mercado de trabalho, a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios PNAD Contínua, do IBGE. Sua mais recente atualização, tornada pública nesta sexta-feira, 30, aponta que a taxa de desocupação entre os brasileiros é de 14,4% entre dezembro e fevereiro, com 14,4 milhões de pessoas sem trabalho.

Este é o maior contingente de pessoas em busca de emprego desde 2012. Some-se a ele outros seis milhões de pessoas consideradas ‘desalentadas’, ou seja, elas desistiram de procurar trabalho.

A pesquisa do IBGE é feita a partir de entrevistas em 211 mil domicílios, em cerca de 3,5 mil municípios. Enquanto o Caged é uma base de dados que consolida admissões versus demissões e divulga o saldo de empregos formais regidos pela CLT, a PNAD faz uma leitura mais ampla e considera desempregado toda pessoa sem ocupação que tenha procurado emprego nos últimos 30 dias e não encontrou.

Por óbvio, é impossível comparar as duas pesquisas, que tem base de dados distintas. Tanto a PNAD Contínia quanto o Caged têm larga reputação de confiabilidade e sempre foram utilizados como referência por pesquisadores e gestores, seja na produção de dados e análises, seja na tomada de decisão nos setores públicos e privados.

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