O colapso da Copasa e o cinismo dos poderosos

Contexto Político

O colapso da Copasa e o cinismo dos poderosos

Publicado

no dia

Imagem: ilustração

Ao menos 64 bairros de Pouso Alegre atravessam o fim de semana sem água. Moro em um deles. No meu prédio, mesmo com caixa d’água, não restou uma gota dela para beber, tomar banho ou cozinhar.

O que houve afinal? Ontem pela manhã, bairros da região sul da cidade foram pegos de surpresa por uma ‘manutenção operacional’ não programada da Copasa. O comunicado da companhia foi feito no mesmo dia da suspensão do fornecimento.

Parece ruim, mas regiões inteiras da cidade têm enfrentado períodos ainda maiores sem o insumo mais básico do nosso dia a dia. Há casos, de semanas a fio sem água.

Lembro-me de uma época em que ter a Copasa em sua cidade era sinônimo de qualidade. Sua chegada era tida como sinônimo de progresso.

Mas, no meio do caminho, houve uma mudança de direção. A companhia que era voltada para levar água potável às casas dos mineiros e atacar um dos grandes problemas medievais que ainda assolam o país, o saneamento básico, passou a se organizar não em torno de sua atividade fim, mas em torno da lógica que move o ente chamado mercado, o lucro.

Mas o que levou a empresa a fazer essa nova escolha? Em 2006, sob o governo de um pretensioso Aécio Neves, tucano de alta pluma que, à época, tinha a presidência da República como um caminho quase que natural (eis as peças que o destino prega, não é mesmo?), a companhia estreava na bolsa de valores. O governo seguiu como ‘dono’, controlando a maior parte das ações. A lógica, porém, era outra. Previa-se que com mais investimentos vindos do mundo privado, a companhia pudesse dar um salto em infraestrutura.

Bem, ao menos era o que deveria acontecer segundo a cartilha surrada de um liberalismo há muito ultrapassado, mas que, no Brasil, ainda hoje é apresentado como novíssima revolução econômica. Não acredita em mim? Confira os processos de reestatização de água nos EUA e Europa.

A realidade, sempre teimosa, esfarelou as projeções dos sábios liberais tupiniquins – não tenha pena, eles não estão preocupados em ter razão, desejam apenas os privilégios.

Aconteceu o óbvio. Se você submete algo à lógica financeira será sob a lógica financeira que esse algo funcionará.
Desde então, voltada especialmente para os interesses dos acionistas, a Copasa deixou de investir em infraestrutura básica de abastecimento.

Anos sob a mesma política, e contando com a cumplicidade de governos vários, incluindo um petista pelo caminho, o colapso era questão de tempo.

As reclamações dispararam. Cidades e mais cidades foram à Justiça para romper contrato com a outrora companhia modelo.

Saíram-se melhores os municípios que criaram suas próprias companhias de água. Estão se virando aqueles que conseguiram romper o contrato. Penam os que seguem sob a Copasa.

Entre aquelas cidades que penam, Pouso Alegre, polo regional cortado por diversos rios, e, portanto, com água em abundância, assiste dia sim, dia não dezenas de bairros ficarem semanas sem ver uma gota de água.

E eis que Zema, um empresário completamente ignorante que ascendeu ao poder na onda bolsonarista, acena com a cura, não sem antes agravar a doença: ‘vamos privatizar o que resta para tornar a companhia eficiente’, aponta.

Após cinco anos com a mesma ladainha de um governo incompetente sob todos os aspectos, choca a falta de cuidado com as pessoas, que padecem sem água como se vivessem num deserto, enquanto assistem as ruas centrais de suas cidades alagarem com chuvas torrenciais.

Choca ver políticos de direita, quase sempre os donos do poder nas principais cidades do Sul de Minas, não terem coragem sequer de citar o nome de Romeu Zema, tido por estes como um cabo eleitoral importante.

Ao ponto de muitos deles, os mais populistas e sem escrúpulos, iniciarem cruzadas cínicas pedindo ‘Fora Copasa’. Como se a companhia agisse por vontade própria e não dependesse dos CPFs que ditam seus rumos.

O principal CPF a ditar os atuais rumos da Copasa é o de Romeu Zema. É ele, na prática, quem escolhe a diretoria, conselheiros e, por fim, define a política da Companhia.

Então, se você é daqueles que gritam ‘Fora Copasa’, por decência e alguma honestidade, grite antes ‘FORA ZEMA’!

Nota do editor – Ah, o colapso da Copasa só existe para o consumidor. O caixa da companhia e os dividendos dos acionistas vão bem, obrigado. O lucro líquido da empresa no terceiro trimestre deste ano foi de R$ 437,1 milhões, 92,4% superior ao alcançado no mesmo período de 2022. Em março deste ano, a companhia pagou R$ 377 milhões em dividendos aos acionistas. Precisa mesmo desenhar?

Sobre o autor: Adevanir Vaz é jornalista e editor do R24.
Os artigos publicados em ‘Opinião’ e ‘Colunas’ não refletem, necessariamente, o ponto de vista do Rede Moinho 24.

Quer receber notícias de Pouso Alegre e região e ser informado sobre as vagas de emprego diretamente no seu WhatsApp? Acesse o canal do R24 no WhatsApp


Não perca nada. Siga o R24 nas redes sociais:
Canal do WhatsApp| Facebook | Youtube | Instagram | Grupo de WhatsApp | Telegram | Twitter

Contexto Político

Com lançamentos do fim de semana, Pouso Alegre tem 4 pré-candidatos a prefeito

Publicado

no dia

Os pré-candidatos por ordem alfabética: Alba Junqueira (PL), Antônio Marcos Coldibelli (PT), Cel. Dimas (Republicanos), Leandro Morais (PSDB)

Com os lançamentos dos nomes do vereador Leandro Morais (PSDB) e da empresária Alba Junqueira (PL) neste fim de semana, Pouso Alegre tem agora quatro pré-candidatos a prefeito. Antes deles, os nomes de Cel. Dimas (Republicanos), que vai concorrer à reeleição, e Antônio Marcos Coldibelli (PT) já haviam sido confirmados.

> Confira o especial Eleições 2024
> Siga o R24 no Instagram
> Acesse o canal do R24 no WhatsApp
> Acesse a Comunidade de WhatsApp do R24

Ainda é cedo, no entanto, para bater o martelo sobre se de fato serão esses quatro nomes que irão concorrer ao cargo de chefe do executivo nas eleições municipais deste ano.

A escolha oficial dos candidatos pelos partidos ocorrerá entre 20 de julho e 5 de agosto, durante as convenções partidárias. Já o registro das candidaturas, que é o que vale, pode ser feito até 15 de agosto.

Simões X Dimas, candidata de Bolsonaro e PT de volta à disputa

Até o registro das candidaturas, portanto, articulações políticas, pesquisas eleitorais e o imponderável podem mexer com o quadro de candidatos que será apresentado para a escolha dos pouso-alegrenses, mas, por enquanto, a cena que se tem rende enredos para todos os gostos.

E é certo que o mais chamativo deles até aqui é o duelo de ex-aliados que se anuncia. Simões, que apresentou Leandro Morais como seu pré-candidato, contra o atual prefeito Cel. Dimas. A parceria de mais de décadas foi desfeita assim que Simões deixou a Prefeitura para assumir a vaga de deputado federal e seu então vice-prefeito assumiu a condução do município.

O motivo exato do racha nunca foi bem explicado. Simões deu alguns contornos gerais. Alegou que Dimas traiu sua confiança ao supostamente promover uma guinada no modelo de gestão implementado pelo deputado ao longo de seis anos à frente da Prefeitura; e dispensou secretários que dispunham da estrita confiança de Simões. De seu lado, Dimas desconversa, diz que o motivo da briga só pode ser explicado pelo ex-prefeito.

No lançamento da pré-candidatura de Leandro Morais, Simões deu uma mostra do tom que deve adotar durante a campanha.

Num discurso furioso, em que chamou Dimas de coronelzinho e prefeitinho, Simões provocou: “Depois de 10 anos carregando mala pra mim, ele mostrou exatamente quem ele era, atacando não a mim, mas às instituições que são importantes para esta cidade, um projeto que construímos juntos, um projeto para mais de 20 anos de progresso dessa cidade e da região”, deixando evidente a mágoa, mas também o desapontamento por ver seu projeto de poder interrompido.

Em contrapartida, o atual prefeito, por ora, não tem respondido os ataques, ao menos não diretamente.

Convenhamos, o duelo de ex-aliados já seria enredo suficiente para a eleição. No entanto, há mais. O PL, de Bolsonaro, decidiu não apoiar nem o atual prefeito, nem o candidato de Simões. Optou por lançar candidatura própria.

Alba Junqueira inicia a corrida eleitoral incensada pela base bolsonarista mais fiel em Pouso Alegre. Seu desafio será ampliar os espectro de apoio para além do nicho de influência do ex-presidente. De qualquer modo, é a primeira vez que a base bolsonarista rompe com os círculos da direita tradicional de Pouso Alegre e aposta em uma candidatura puro-sangue.

E, sim, há mais. Depois de sequer lançar candidato em 2020, às voltas com o sentimento negativo que o último mandato do ex-prefeito Agnaldo Perugini deixou impregnado no eleitorado pouso-alegrense, o Partido dos Trabalhadores terá de novo um candidato. O nome da legenda é o médico Antônio Marcos Coldibelli.

Em entrevista ao R24, o pré-candidato deu a entender que o partido deverá fazer um mea culpa pelos momentos finais da gestão Perugini, mas defenderá o conjunto da obra, apontando para os avanços que enxergam nas duas gestões do político.

Sobre o autor: Adevanir Vaz é jornalista e editor do R24.
Os artigos publicados em ‘Opinião’ e ‘Colunas’ não refletem, necessariamente, o ponto de vista do Rede Moinho 24.

Quer receber notícias de Pouso Alegre e região e ser informado sobre as vagas de emprego diretamente no seu WhatsApp? Acesse o canal do R24 no WhatsApp


Não perca nada. Siga o R24 nas redes sociais:
Canal do WhatsApp| Facebook | Youtube | Instagram | Grupo de WhatsApp | Telegram | Twitter

Continuar lendo

Contexto Político

Com fúria e festa: Simões apresenta seu pré-candidato à Prefeitura de Pouso Alegre

Publicado

no dia

Evento de lançamento de pré-candidatos do União Brasil | Foto: R24

Depois de idas e vindas, muitos nomes cogitados e algumas desistências, com festa e com muita fúria o ex-prefeito e deputado federal Rafael Simões (UB) finalmente revelou na manhã deste sábado, 23, seu indicado para concorrer à Prefeitura de Pouso Alegre. Apesar do longo suspense feito pelo político, não houve surpresa, o nome escolhido foi mesmo o do vereador Leandro Morais, já apontado pelo R24 como o favorito para o posto.

> Confira o especial Eleições 2024
> Siga o R24 no Instagram
> Acesse o canal do R24 no WhatsApp
> Acesse a Comunidade de WhatsApp do R24

O anúncio ocorreu no Öröm Buffet, ao lado do Hotel Fernandão, num evento que reuniu pré-candidatos a prefeito do União Brasil em diversas cidades da região. Também foram apresentados os pré-candidatos do partido para a Câmara Municipal de Pouso Alegre.

Pré-candidato se apresenta

Cercado de expectativas, o anúncio do pré-candidato foi feito já no final do evento. Simões e o deputado estadual Dr. Paulo tomaram a palavra no palanque e avisaram que a apresentação ficaria por conta do próprio pré-candidato. Os políticos se sentaram, mas ninguém subiu ao palco.

Depois de alguns instantes de expectativa, um vídeo passou a ser exibido no telão: imagens aéreas de Pouso Alegre, uma música dramática de fundo e eis que surge a voz do narrador: “Desde muito cedo, a minha jornada foi marcada…”. Não foi possível ouvir o restante do áudio, que foi abafado pelos gritos dos presentes, enquanto as câmeras focavam um rosto na plateia, o do vereador Leandro Morais, instantaneamente reconhecido como dono da voz.

Na sequência, Leandro Morais foi carregado até o palanque do evento pelo deputado estadual Dr. Paulo. Ao lado da família, ele agradeceu a indicação e afirmou que sua pré-candidatura terá compromisso com uma mudança real na cidade.

Na coletiva de imprensa, o R24 questionou o pré-candidato se ele teme ser um preposto de Simões na Prefeitura. O vereador não foi direto ao ponto, mas avaliou ser positivo ter o político como padrinho “Quem não quer ter [o apoio de] um ex-prefeito que teve mais de 80% de aprovação, de um deputado federal que é extremamente ativo no Congresso Nacional, que trabalha de forma dura para trazer recursos para o Sul de Minas e para Pouso Alegre”, apontou.

Leandro Morais é apresentado como pré-candidato | Foto: R24

Furioso, Simões reclama de traição e diz que vai tirar Dimas do poder

Como já era de se esperar, o que mais chamou atenção no evento foi o discurso do deputado federal Rafael Simões. Demonstrando fúria, o político andava de um lado para o outro no palanque, enquanto, aos gritos, disparava críticas e acusava de traição seu ex-aliado, o atual prefeito Cel. Dimas (PSDB), com quem rompeu após deixar a Prefeitura para virar deputado federal.

Além de adjetivar o atual mandatário de ‘prefeitinho’ e ‘coronelzinho’, Simões acusou a Prefeitura de barrar verbas para o Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL) – hospital que o deputado mantém sob sua estrita influência política, e por investir ‘milhões em shows’, enquanto, segundo ele, estaria faltando medicamento na Secretaria de Saúde, pasta que ele acusou de ter perdido exames para tratamento de oncologia. “Esse é o atendimento humanizado que estão dando”, ironizou.

Simões ainda disparou contra a atual secretária municipal de Saúde, Rosaly Esther, ao criticar a saída de Sílvia Regina, que foi a chefe da pasta durante seu mandato. “Aquela pessoa que está lá na secretaria não entende absolutamente nada, que não deu conta de tocar [nem] a Saúde em Borda da Mata. Ela não sabe que ser secretária de Saúde em Pouso Alegre reflete em toda nossa região”.

Por fim, já quase sem voz, recorreu à estratégia que vem usando desde que se afastou do atual prefeito e passou a associá-lo ao Partido dos Trabalhadores. “Se nós elegermos esse atual prefeito, com a sua incompetência, com a sua falta de sensibilidade, nós vamos ter saudades daquele que já foi o pior prefeito de Pouso Alegre, que chama-se Agnaldo Perugini (…), aliás, talvez não, porque o PT já está dentro da nossa Prefeitura. Todos aqueles que de lá tirei, hoje estão lá”.

Simões deixa claro: vai pra cima

Em síntese, o lançamento da pré-candidatura apoiada por Simões trouxe uma prévia do que está por vir na campanha eleitoral de Pouso Alegre. Como já era esperado, o político deixou claro que irá para cima de seu principal adversário, o ex-aliado Cel. Dimas.

A fúria demonstrada no palanque pelo deputado deve ter reprises ao longo da campanha. Ainda não está totalmente claro se o tom é calculado ou se, ao menos em parte, é contaminado pela empolgação do momento, o que seria um erro um tanto amador.

No evento, ficou claro o esforço da organização em dar maior protagonismo para o pré-candidato, tendo em vista, por exemplo, que ele próprio se apresentou, quando todos esperavam que seu padrinho político o fizesse.

Ainda assim, Simões deu o tom de toda a cerimônia, inclusive com intervenções aparentemente não programadas. Compreensível, levando-se em conta que se trata da maior liderança política do grupo, mas não ajuda a desfazer a impressão de que o ex-prefeito deseja seguir no controle da Prefeitura enquanto exerce seu mandato de deputado federal.

Sobre o autor: Adevanir Vaz é jornalista e editor do R24.
Os artigos publicados em ‘Opinião’ e ‘Colunas’ não refletem, necessariamente, o ponto de vista do Rede Moinho 24.

Quer receber notícias de Pouso Alegre e região e ser informado sobre as vagas de emprego diretamente no seu WhatsApp? Acesse o canal do R24 no WhatsApp


Não perca nada. Siga o R24 nas redes sociais:
Canal do WhatsApp| Facebook | Youtube | Instagram | Grupo de WhatsApp | Telegram | Twitter

Continuar lendo

Contexto Político

Guerra declarada: Dimas e Simões iniciam embate pelas eleições municipais

Publicado

no dia

O prefeito Cel. Dimas e o deputado federal Rafael Simões | Foto: montagem/ reprodução de redes sociais

A corrida eleitoral começou pra valer essa semana em Pouso Alegre. E a largada não foi das mais suaves. Em duas entrevistas, o prefeito Cel. Dimas (PSDB) e o deputado federal Rafael Simões (União) deram uma pequena mostra do que está por vir.

> Confira o especial Eleições 2024
> Siga o R24 no Instagram
> Acesse o canal do R24 no WhatsApp
> Acesse a Comunidade de WhatsApp do R24

Na segunda-feira, 22, Cel. Dimas disse, em entrevista à Rádio Difusora, que Simões deveria ser questionado pelo motivo do rompimento entre os dois políticos, já que ele teria sido o pivô da encrenca. Três dias depois, Simões respondeu, em entrevista ao pousoalegre.net, que se distanciou do antigo amigo por ter se sentido traído, quando Cel. Dimas passou a promover mudanças em sua gestão, botando fora nomes de confiança do ex-prefeito.

Se não houve grandes novidades nos posicionamentos dos mais novos adversários políticos, as falas ao menos abrem alas para o ano eleitoral em Pouso Alegre, que deve ser protagonizado pelo embate entre os dois grupos: de um lado, a administração Dimas, de outro o grupo que restou mais fiel ao deputado federal Rafael Simões.

Na entrevista cuidadosamente planejada, Rafael Simões queria mandar um recado claro aos seus eleitores: Dimas não será seu candidato. Tentou ser didático e caprichou no drama. Chegou a pedir perdão aos pouso-alegrenses por ter escolhido Cel. Dimas como vice-prefeito e previu que a reeleição de seu ex-aliado poderia trazer de volta os tempos do ex-prefeito Perugini (PT), assombração que o ex-prefeito traz à tona com frequência religiosa sempre que busca projetar medo nos pouso-alegrenses.

Tudo dentro do roteiro esperado, mas a forma também conta. O tom raivoso com que o político declarou que o atual prefeito está no cargo “com meus votos” e o inconformismo visceral que deixou transparecer com as mudanças de gestão e de nomes feitas por seu sucessor fez emergir sua face mais autoritária. A postura costumava fazer sucesso quando Simões estava à frente do executivo, mas tem pegado mal no figurino de deputado e ex-prefeito, custando-lhe apoios e simpatias fundamentais.

Para sorte do ex-prefeito, Dimas também deu sua escorregada. Ao tentar se mostrar mais aberto ao diálogo que seu antecessor, passou dos limites. Se declarou de centro-direita e disse que não tem problemas em conversar com a esquerda. Até aí tudo bem, mas arrematou dizendo: “nesse momento, eu prefiro muito mais conversar com o pessoal da esquerda, que é mais leal, são pessoas mais honestas, do que com algumas pessoas que se dizem de direita aqui em Pouso Alegre”.

O coronel se referia a uma parte da esquerda e a uma parte da direita, mas alguém tem dúvida que sua fala será repetida incessantemente durante a campanha sangrenta que se anuncia?

Por ora, para quem aprecia um bom bate-boca, maledicências e alguma violência verbal, o ano eleitoral promete. Mas se a preocupação for com um debate mais profundo sobre os rumos da cidade, há quase nada de esperança.

De resto um consolo quase esportivo: depois de um longo período de hegemonia, Rafael Simões pode enfrentar uma derrota amarga nas urnas, ainda que de forma indireta. Não chega a ter a elegância de um Fla-Flu, mas é uma senhora reversão de expectativa. Talvez valha uma pipoca.

Sobre o autor: Adevanir Vaz é jornalista e editor do R24.
Os artigos publicados em ‘Opinião’ e ‘Colunas’ não refletem, necessariamente, o ponto de vista do Rede Moinho 24.

Quer receber notícias de Pouso Alegre e região e ser informado sobre as vagas de emprego diretamente no seu WhatsApp? Acesse o canal do R24 no WhatsApp


Não perca nada. Siga o R24 nas redes sociais:
Canal do WhatsApp| Facebook | Youtube | Instagram | Grupo de WhatsApp | Telegram | Twitter

Continuar lendo

Mais lidas