Contexto Político

Em clima de campanha, Simões puxa caminhada no 7 de Setembro em Pouso Alegre

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O prefeito Cel. Dimas (PSDB) e o deputado federal Rafael Simões (UB) | Imagens: reprodução

Foi como se a pré-campanha para as eleições de 2024 tivesse sido iniciada nesta quinta-feira, 7 de setembro, em Pouso Alegre (MG).

O deputado federal e ex-prefeito Rafael Simões (UB) reuniu seus principais aliados, incluindo o deputado estadual Dr. Paulo (Patritoas) e o presidente da Câmara Leandro Morais (PSDB), possíveis nomes do grupo para disputar a prefeitura ano que vem, para um corpo a corpo com o público pelo centro da cidade.

Enquanto o grupo caminhava, o desfile cívico se desenrolava na Avenida Dr. Lisboa, sob a condução do atual prefeito Cel. Dimas (PSDB).

A cena não é incomum para um ano pré-eleitoral. Enquanto o prefeito da vez conduz a cerimônia cívica do palanque montado na avenida, futuros postulantes ao cargo se embrenham entre os populares para fazer o contraponto. Seria apenas um clássico eleitoral não fosse pelas circunstância peculiares que envolvem a política local.

Até outro dia, o atual prefeito Cel. Dimas (PSDB) era o braço direito de Simões na jornada que converteria o advogado no ‘Rafael do Hospital’, eleito e reeleito prefeito e transformado no líder máximo do grupo político que se tornou hegemônico em Pouso Alegre nos últimos anos.

Mas, no ápice do domínio político do grupo, quando Simões deixou seu segundo mandato na Prefeitura para se eleger deputado federal e Cel. Dimas assumiu a chefia do Executivo municipal em seu lugar, os dois se desentenderam. O afastamento virou racha e o racha confronto político. Uma prévia do que está por vir nas eleições do ano que vem.

Com aparições estratégicas, Simões quer consolidar seu afastamento do atual prefeito

Desde que o rompimento entre Rafael Simões e Cel. Dimas se mostrou inevitável, o grupo ligado ao deputado federal tenta tornar didático para o grande público o afastamento político da dupla. O primeiro ato nesse sentido foi na espécie de ‘inauguração informal’ da nova Avenida do Faisqueira, em 1º de julho, quando Simões e Dr. Paulo gravaram um vídeo de carro, seguindo pela via que ainda não havia sido liberada pela Prefeitura. No vídeo, os políticos destinavam uma série de indiretas ao atual prefeito.

Agora, no Sete de Setembro, além de mais uma vez evidenciar ao público o afastamento político, o grupo começa a ensaiar o discurso que deve utilizar contra o atual prefeito: de que ele teria descontinuado a gestão implantada durante a administração Simões, o que representaria, segundo essa avaliação, um retrocesso.

Depois de caminhar em meio ao público que acompanhava o desfile, Simões e aliados se posicionaram no centro da Praça Senador José Bento – sob a bandeira nacional que havia sido hasteada pouco antes, em cerimônia institucional, pelo próprio Cel. Dimas.

Entre o grupo de pouco mais de 30 pessoas, estavam ex-secretários da gestão Simões, lideranças locais recém-filiadas ao União Brasil, além do deputado estadual Dr. Paulo e dos vereadores Bruno Dias (UB) e Leandro Morais, que hoje são a tropa de choque de Simões na Câmara Municipal.

Foi ali que se gravou o vídeo depois distribuído à imprensa pela assessoria do deputado federal. Na peça repleta de referências cívicas, falaram Simões, Dr. Paulo, Leandro Morais e Bruno Dias. Enquanto os três primeiros fizeram referência ao Dia da Independência e à importância de celebrar a data no ‘meio do povo’, ‘com os amigos’, coube a Bruno fazer a crítica mais frontal à atual administração, encerrando o vídeo com um claro apelo eleitoral:

“Para que a gente possa recuperar nossa cidade  e ter de novo a Pouso Alegre que a gente sonhou, que já teve com o prefeito Rafael Simões, a gente tá aqui conclamando toda a população a juntos abraçar esse grupo e ir pra cima e ir pra frente pra salvar Pouso Alegre de tudo que vem acontecendo”, diz Bruno no vídeo.

O discurso emulado pelo vereador é uma continuidade da tese que ele já vem defendendo insistentemente em suas falas na tribuna da Câmara. O parlamentar tenta associar a gestão Dimas à ‘esquerda’, sugerindo que ela não teria responsabilidade fiscal ou prioridades legítimas.

Na última sessão legislativa, por exemplo, em 5 de setembro, o vereador discorreu longamente sobre uma suposta ineficiência da prefeitura na gestão de obras. “Eu gostaria que mais secretários, assim como a Sílvia [secretária de Saúde] vem fazendo, que mais secretários estivessem dando show de gestão. E, infelizmente, os shows que estão sendo dados são shows macabros. A cidade gasta muito, gasta onde não é prioridade e há um processo de descontinuidade, que nem quando o Rafael herdou do Perugini aconteceu, porque o Rafael quando herdou do Perugini, ele terminou todas as obras por entender que elas beneficiavam a população, agora não, agora abandonou-se o que tinha sido proposto, abandonou-se a luta contra a Copasa, abandonou-se o arroz com feijão da Saúde e da Educação (…) vai acabar o dinheiro por que tá gastando errado”.

A fala de Bruno é bastante didática. Primeiro, ela expõe uma contradição insuperável ao citar a secretária de Saúde, Sílvia Regina, aliada de primeiríssima hora de Simões que ainda continua na gestão Dimas e comandando a pasta que detém o maior orçamento do município. De certa forma, portanto, o grupo ainda compartilha a gestão com Dimas em algum nível.

A nuance mais subjetiva, e não menos reveladora, fica por conta do uso de expressões fortes, mas aparentemente deslocadas. Bruno fala de ‘shows macabros’, embora não cite qualquer episódio concreto que vá além de seu próprio juízo de valor.

Sim, ‘carregar na tinta’ faz parte do teatro político, mas a necessidade do recurso deixa evidente o grande desafio dos grupos que ensaiam um enfrentamento fratricida nas próximas eleições: convencer os eleitores que, de fato, possuem projetos diferentes para a cidade. Do contrário, restará a percepção de que se trata mais de uma disputa de poder e menos de uma proposta de governo.

Confira os vídeos divulgados por Simões e pela Prefeitura no 7 de Setembro:

 

Sobre o autor: Adevanir Vaz é jornalista e editor do R24.
Os artigos publicados em ‘Opinião’ e ‘Colunas’ não refletem, necessariamente, o ponto de vista do Rede Moinho 24.

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